Namoro divorciada

Desabafo/Depressão/Dicas de como me tornar autoconfiante

2020.05.16 06:46 Lordoxford239 Desabafo/Depressão/Dicas de como me tornar autoconfiante

Se quer perder tempo, veja esta mensagem. Obrigado. (deve ter uns preconceito no meio do caminho, então se ligar pra isso, nem leia).

Pela minha vida inteira sempre sofri bullying por ser gordinho... E até hoje sou.
Não consigo nem chegar perto de garotas.. já cheguei ao ponto até de falar com alguma e dizer que gosto dela, que sinto um certo apego por ela, mas nenhum resultado... E a partir desse momento, eu sempre pensei que eu era feio e que ninguém me quer... E até hoje eu sinto isso... Não consigo parar de pensar "Será que um dia vou arrumar alguém para ficar comigo?" "Será que existe alguma garota no mundo que seja bonita e legal para mim e que goste de mim de como eu sou?"
Meu único namoro de verdade foi com uma garota que dizia que me amava, mas depois de um tempo que brigamos e ficamos um pouco afastados, ela me traiu e eu descobri no celular dela enquanto ela dormia, peguei o celular dela para ver e la estava as conversas com nudes e papos de "amor" com outro cara que eu ainda por cima conhecia e ela falava sobre... E hoje ela ta divorciada do cara, esperando um filho e namorando algum favelado inútil.
Cheguei a tentar suicídio com algumas combinações de remédio, mas a unica coisa que deu foi uma dor de barriga dos inferno e dor no estômago. Vida de merda... Nem pra morrer eu sirvo...
Meu único pensamento hoje é de sumir e nunca mais poder ver ninguém, mas que ninguém tivesse me conhecido na vida e que nunca tivesse me conhecido.. Tipo aquele negocio dos MIB, que ele da um flash na cara da pessoa e a pessoa simplesmente esquece do que você quer? Então, queria dar flash em todas as pessoas que vi e morrer pra ver se me sinto melhor...
Pode ser um preconceito e uma ignorância gigante, mas pra mim, mulher só gosta de homem sarado ou magro, bonito... E que esse papo de "coração é o que importa" é uma puta falsidade... Tento ser legal com todos, mas todos estão simplesmente CAGANDO pra mim...
As únicas pessoas que estão do meu lado são meus pais e poucas pessoas que me aturam não sei como... Amor de família é uma coisa... Mas achar alguém para conviver pro resto da sua vida, é outra... E hoje em dia pra mim, sendo feio, gordo, e mesmo sendo gentil com as pessoas e pensando sempre no próximo, está impossível de ser feliz.
Se leu até aqui, gostaria de saber dica sobre como poderia melhorar minha autoestima, baseado no que eu disse acima..
Valeu
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2020.04.18 01:05 BrnNick Quero cuidar da minha namorada depressiva e não vejo alternativas legais em relação à isso.

Eu tenho 17 (18 esse ano) e namoro à distância uma menina de 15 (completos esse ano) que mora à cerca de 400km de mim, em outro estado. Ela mora com a mãe divorciada, com o padrasto e com a irmã mais nova e tem uma relação péssima com os familiares dela (autoritarismo total) e sofre deles: assédio verbal, abuso de poder familiar, obrigações domésticas (a mãe dela tira as coisas dela se ela não limpa a casa ou cuida da irmã) e total negligência com saúde.
A menina sempre foi diminuída dentro de casa, e depois que os pais se divorciaram e ela foi morar com a mãe as coisas só pioraram, na infância ela foi muito maltratada com castigos pesados, assédio verbal e tanto ignorância e desprezo que os traumas estão até hoje evidentes na personalidade dela, ela já tentou suicídio duas vezes na infância e a mãe agiu com total negligência, até zoando ela e falando que eu não deveria ter nascido.
Desde que começamos à namorar (cerca de 16 meses atrás) ela sempre ficou feliz com minha companhia e sempre que acontecia algo de errado na casa dela eu confortava ela dizendo que "já que seus pais não ligam pra você, eu vou casar contigo e te cuidar" e isso acalmou ela durante muito tempo. Eu juntei um dinheiro da metade do ano passado até Outubro e fui ver ela no mesmo mês ficando uns dias em um hotel, gastei uma grana enorme pra ficar uns 3 dias com ela mas valeu muito à pena, só que depois disso ela ficou sentindo muito minha falta e a situação dela começou a piorar por saber que vive naquele ambiente ruim e poderia viver comigo.
Desde outubro a depressão dela só cresce mais, os pais dela só tentam sabotar nossa situação e dificultar nosso contato (a mãe dela agora desliga o Wi-Fi e ameaça não deixar eu ir lá toda vez que fica descontente com algo pra chantagear a menina), eles proíbem a ideia de deixar ela casar comigo e de deixar ela viajar pra cá ao invés de eu viajar pra lá porque "é muito trabalho ficar indo assinar papel" e isso tem sido uma merda mas até dá pra aguentar.
O ponto principal e o pior de tudo é que minha namorada está numa fase de depressão onde eu não posso mais fazer nada, minha companhia parece não surtir efeito duradouro o suficiente e dia após dia eu ouço ela pela chamada de voz chorando até dormir e comentando sobre suicídio e os pais dela não dão a mínima, eu falo o tempo todo com eles sobre a situação dela e a urgência de um psicólogo e eles só respondem que "precisa ter paciência" e "ela precisa sair mais do quarto" com uma psicofobia nojenta, a negligência tá tanta que de fevereiro pra cá ela começou a ter diversos sintomas não convencionais no sistema urinário e reprodutor e a mãe dela continua negligenciando e falando que ela não precisa de médico "que isso é só frescura pra não limpar a casa" ou coisas do tipo.
Hoje eu falei com o pai dela pra ver se ele deixava eu e ela ficarmos uns dias na casa dele pra poder levar ela no hospital (eu fui ver ela em janeiro e gastei mais de mil reais em hotel, agora só tenho um pouco mais do que o dinheiro da passagem mas ela precisa ir urgentemente no psicólogo e no ginecologista e eu quero levar ela pelo menos na primeira consulta pra ela ter menos medo de ir sozinha) e ele disse que só podia ficar 5 dias, eu perguntei o porquê do número específico e ele falou "é o que dá" sem nenhuma justificativa lógica e esbanjando totalmente desvontade da gente ficar o mínimo de tempo juntos e eu sei que ele não tem obrigação de me dar estadia mas isso me deixou tão PUTO.
Não existe nada que eu possa fazer legalmente em relação à essa situação horrível? Eu sei que quando ela tiver 16 anos teoricamente posso entrar num processo pra casar com ela, mas sinceramente não tenho certeza se vai ficar tudo bem até lá. Eu só quero dar à pessoa que eu amo um lugar descente pra morar onde tratem ela como ser humano, com respeito, compreensão e dignidade e meu deus do céu, tá sendo quase impossível fazer qualquer coisa quando os progenitores não estão nem um pouco interessados em fazer o mesmo. Eu vou levar ela no psicólogo mesmo assim e vou fazer o possível pra cuidar dela mas eu acho impossível alguém ter a saúde mental plena vivendo perto de gente assim.
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2020.03.17 15:42 r3comeco Estou finalmente deixando para trás o pior ano da minha vida (e sobre como a justiça/polícia não protege alguém que foi ameaçado)

2019 foi o pior ano da minha vida, foi cada desgraça que parecia um filme. Mas o que venho contar aqui é que passei por um relacionamento de quase dois anos que se tornou abusivo e que terminou em julho do ano passado.
A mulher era divorciada e o ex marido não aceitava a separação, muito menos meu namoro com a ex dele. Em dezembro de 2018 ele (com quem nunca tive qualquer relação pessoal) se deu ao trabalho de conseguir meu WhatsApp e me mandar um áudio me injuriando e ameaçando. Ele apagou o áudio e me bloqueou assim que percebeu que escutei, mas eu já tinha salvado o áudio.
No mesmo dia fiz um B.O. Em julho de 2019, dias depois do meu término (e oito meses após a ameaça), me chamam no fórum para uma audiência de conciliação, na qual ficamos eu e ele, sentados lado a lado. Eu já nem queria saber disso, então propus que ele pagasse uma cesta básica a alguma família necessitada para eu retirar a acusação. Com a cara mais lavada, ele disse que não tinha condições. Saímos da audiência juntos, pela mesma porta. O lugar não é muito movimentado, então na rua ele aproveitou para colocar a mão nas minhas costas e fazer uma nova ameaça. Eu estava com um amigo advogado que esbravejou com ele e ele, tal como cachorro, saiu andando depois da gritaria.
Na última sexta-feira, um ano e três meses depois da ameaça, a Polícia me intima para prestar esclarecimentos. Fui lá hoje e assinei um termo de desinteresse com a escrivã me garantindo que não serei mais incomodado sobre este caso. Me sinto leve, sinto que me livrei de uma parte importante desse passado e agora não tenho "vínculo" nenhum com esse cara mais. A escrivã disse que ele não saberá que desisti, então deve ficar esperando ser chamado até esquecer. Mesmo se não for assim, é sobre mim, não sobre ele. Me sinto leve e aliviado, desde sexta estava bem aflito e ansioso para hoje, imaginando que teria que me encontrar com o salafrário de novo e que não seria simples apenas deixar a acusação pra lá. Estou contente que não foi assim.
Agora, algumas reflexões:
  1. Fui ameaçado e a única vez em que estive pessoalmente com o cara foi porque a justiça me colocou nesta situação;
  2. Um ano e três meses depois, não houve qualquer indício de defesa à minha integridade por parte das instituições, nem qualquer punição ao ameaçador;
  3. Vejo muita gente desesperada por relacionamentos neste sub. Eu, aos 22 anos, nunca tinha namorado e iniciei este relacionamento. Fui muito feliz, amei minha ex e não me arrependo, pois vivi muitas coisas e adquiri muita experiência, mas os traumas também ficam e penso que se eu tivesse mais amor próprio e ponderasse mais, não teria entrado em um monte de roubada. Então, amigos, cuidado com o que desejam;
  4. Não sejam escrotos e aceitem términos, principalmente os homens. Além disso, ensinem os filhos de vocês a não serem machistas e a entenderem que as mulheres têm direito sobre elas mesmas.
É isso! Me sinto mais leve para seguir em frente.
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2017.11.13 21:35 tombombadil_uk Today I fucked up: a estranha sensação de reencontrar um amor do passado 12 anos depois / Parte 2

Não esperava que a Parte 2 ia rolar tão cedo, mas tem atualizações aí. Para quem quiser, dessa vez tem um TL/DR no fim.
A parte 1 é essa aqui: https://www.reddit.com/brasil/comments/7c6tsx/today_i_fucked_up_a_estranha_sensa%C3%A7%C3%A3o_de/
PS.: escrevi isso aqui correndo assim que cheguei em casa, então provavelmente pode estar confuso ou com uns errinhos. Nem de perto foi tão trabalhado quanto o conto que eu fiz da primeira parte. Me desculpem de antemão.
Tive uns dos finais de semana mais atípicos dos últimos anos. Acho que nunca viajei tanto em memórias e dúvidas. Será que realmente rolava alguma coisa? Aliás, será que foi ela mesmo que eu vi na rua? Ela aprecia tão mais velha que talvez sequer fosse a mesma pessoa. E cá estava eu viajando porque uma pessoa aleatória me morou na rua e eu a confundi com alguém que não vejo há doze anos.
Ainda assim, embarquei na onda da nostalgia. Escutei os CDs do Linkin Park, System of a Down, Evanescence e Radiohead que a gente ouvia na época, baixei alguns jogos que eu jogava na época (Xenosaga, Burnout e alguns outros) e coloquei no PS2 que eu achei por um preço ridículo numa feira de rua. Assisti Anjos da Noite e Oldboy, dois que eu lembro de ver naqueles tempos. Domingo eu estiquei a ida à feira e fui até o curso de inglês que frequentávamos juntos, refiz o caminho de lá até casa onde os pais dela moravam. Antes que perguntem, não, eles não moram mais lá. Sei disso porque a casa apareceu à venda há muito tempo.
Foi um fim de semana agridoce. A esposa me achou meio para baixo, eu revirei horas no travesseiro antes de conseguir dormir. Segunda de manhã, indo para o trabalho, eu já estava mais sossegado. Cheguei à conclusão que havia uma enorme possibilidade daquilo tudo ser um baita mal entendido, que aquela mulher sequer era ela. E que eu provavelmente jamais a encontraria na minha vida. E me preocupar com algo tão inatingível era sem propósito algum. O fato de eu ter tentado encontrá-la no Facebook por horas sem sucesso só reforçava isso.
Eu conhecia apenas um dos seus sobrenomes, mas ela não aparecia de forma alguma. Tentei com sobrenome aleatórios algumas boas 20 vezes, devo ter aberto mais de 200 perfis. Nada. Nem sinal.
Mas eu queria falar com alguém sobre aquela história, então decidi me abrir com um amigo do trabalho que é bem gente fina e em quem confio. Passei o almoço contando a história e depois ficamos uns 40 minutos discutindo o assunto. A conclusão dele foi a mesma da galera daqui: "Caralho, como você não falou com ela? Dava um oi, chamava pra conversar".
Falei para ele também que estava começando a duvidar de mim mesmo. Ela estava com uma aparência tão mais velha e nós temos a mesma idade, eu dizia. "Cara, classe média baixa, dois filhos com 20 e poucos anos, voce nem sabe se ela é casada ainda ou não. Às vezes virou mãe solteira e está numa luta fodida".
Quando voltamos para o trabalho, fiz mais uma rodada de pesquisa no Facebook. Talvez fosse uma memória embasada do passado, talvez fosse só uma coincidência, mas eu cismei com o sobrenome Ferreira. Não era o sobrenome que eu sabia com certeza, só um chute que ficava martelando a minha cabeça. Parte de mim dizia que era confusão. Eu tinha uma amiga com o mesmo nome dela é Ferreira no sobrenome, provavelmente estava só confundido as coisas.
Nesse processo, aprendi que o Facebook te dá resultado diferentes para a mesma pesquisa quando você a faz de tempos em tempos. E logo depois desse desabafo, como se falar em voz alta fizesse ela se materializar, ela apareceu. O mesmo rosto de 12 anos atrás, o mesmo sorriso, os mesmos olhos. Minha mão tremeu no computador, levantei para pegar um café é uma água. Respirei fundo, e voltei para ver o resultado.
No começo, senti um misto de alívio e decepção. Ela parecia exatamente como 12 anos atrás, então não era possível que aquela mulher que encontrei na semana passada fosse ela. Abri o perfil e comecei a ver as fotos, os filhos, a pouca vida dela que aquela janela mostrava. Quando abri uma foto mais recente da linha do tempo, a verdade voltou com um soco no estômago: eu realmente a encontrara. A foto de perfil era antiga, mas as mais recentes não deixavam espaço para dúvidas. Eu tinha esbarrado com ela.
Chamei meu colega de trabalho para tomar um café e mostrei as fotos no celular. "Se você não me dissesse que ela tem a mesma idade que a gente, eu nunca ia acreditar em você. Ela parece uns dez anos mais velha, mas era a menina bonita antigamente". E fez a pergunta que eu já estava fazendo mentalmente. "Porra, uma porrada de foto com a família e os filhos, mas e o pai?".
A resposta eu encontrei na lista de amigos dela. Percebi que tinha amigos em comum com outra pessoa da família que tinha o mesmo sobrenome, um amigo farmacêutico que começara a trabalhar em uma farmácia perto do ligar onde trabalho. Era perfeito. Liguei para ele dizendo que queria trocar uma ideia, mas ele tinha acabado de ser transferido para outra unidade da rede para cobrir uma unidade. Com um fogo no cu absurdo, larguei o foda-se no trabalho, peguei um Uber e fui para lá.
No caminho, eu já não sabia bem o que estava fazendo. Eu ficava vendo e revendo aquelas fotos no celular no caminho, lembrando mais e mais dela. É engraçado lembrar de uma pessoa com quem você teve um relacionamento tão profundo e tão curto há tanto tempo. Às vezes eu não sabia bem se eu estava lembrando de alguma coisa ou se eu estava fantasiando, se estava extrapolando algumas memórias.
Fuçando o Facebook dela - curtidas, comentários, gostos, fotos - eu via que ela era exatamente o que eu imaginava. Uma pessoa extremamente simples, de família de classe média baixa, com um estilo de vida simples, bem família e discreta. Os filhos pareciam ser o primeiro lugar em tudo.
Encontrei meu amigo por volta das 16h e subi para a sobreloja da farmácia. Ele vivia falando que o trabalho dele era um marasmo absurdo e tudo que ele fazia quase o dia inteiro era ficar no segundo andar jogando 3DS e como ele estava prestes a comprar um Switch só por conta disso. "Queria ter esses problemas no meu trabalho", brinquei.
Esse meu amigo não é super próximo, mas nos conhecemos há uns 15 anos e crescemos na mesma vizinhança. Apesar de não ser o tipo de pessoa para quem eu desabafo, é alguém em quem eu confio demais. Contei para ele a história toda. "Porra, mas achei que você e XXXX fossem felizes. Vocês têm uma vida tão tranquila". A gente é, eu expliquei. Na verdade eu sou feliz para caralho com a minha vida conjugal, "mas essa ogiva nuclear me fodeu completamente. Pelo menos nesse fim de semana".
É aqui que a história dá uma guinada um pouco para pior. Meu amigo farmacêutico é o tipo de cara que está a cada semana com uma mulher diferente. Os namoros nunca duravam muito. Ele é pintoso e gente fina, então é o tipo de cara para quem chove mulher. E uma dessas mulheres era prima dela, uma mulher com quem ele saiu até por bastante tempo (quase seis meses) dentro dos parâmetros dele.
Ele não lembrava os detalhes, mas ela ficou "falada" na família por conta da crise no casamento. Casou nova, passou para um concurso público que pagava bem mal, mas pelo menos era um emprego garantido, e teve um filho logo no primeiro ano do casamento. No começo, parecia conto de fadas: os dois colegas de escola casam, passam em concursos públicos diferentes (naquele boom de concursos que rolou entre 2005~2010) e têm dois filhos bem rápido. Aos 22 anos, eles já tinham a vida "feita" para alguns padrões.
Mas isso não durou muito. Meu amigo farmacêutico não sabia dos detalhes, obviamente, mas o cara se arrependeu de ter casado tão cedo. Ela largou a faculdade para se dedicar aos filhos. Ainda assim, faltava tempo para cuidar dos dois. Ela largou o emprego público também para se dedicar às crianças e virou dona de casa em tempo integral.
"Ela passou em um concurso público de primeira, eles achavam que ia ser fácil entrar em órgão público mais tarde, quando as crianças estivessem maiores". Burrice do caralho, pensei. A procura por concurso público cresceu vertiginosamente e as vagas minguaram. Agora até os concursos mais bundas tinham altíssima concorrência.
Aparentemente, boa parte da família foi contra. A gente está falando de uma família de classe média baixa de um subúrbio bem quebrado. Para eles, aquela vaga no emprego público era a garantia de que ela teria estabilidade para a vida toda. Ela insistia que o marido tinha um emprego melhor e que eles economizariam tendo ela como dona de casa.
Passaram algum tempo juntos dessa forma, mas o cara ficou de saco cheio. Meu amigo não sabe se chegou a acontecer traição ou não, mas ele enjoou daquela vida. Achava que tinha casado muito cedo, que não tinha aproveitado a vida. Que os dois se precipitaram, que ele não tinha vivido. Que ele não queria ficar preso naquela vida desde tão cedo.
E meteu o pé.
Na família, segundo meu amigo, rolava um misto de pena e revolta com a menina pelas decisões dela. No final das contas, ela voltou para a casa dos pais, entrou em depressão e passou a viver em função dos filhos. Ela não conseguiu terminar a faculdade e jamais a reatou por causa deles também.
Caralho.
No caminho para casa, eu fiquei pensando o quanto aquilo era triste e curioso. Triste por razões óbvias. Curioso porque ela viveu o meu sonho. Sei que pode parecer besteira, mas meu sonho sempre foi casar e ter filhos cedo. Eu nunca fui um cara muito da pegação - até porque, como já disse aí, sempre tive a auto-estima muito baixa - e sempre quis ter uma família, meu sonho sempre foi ter filhos. E eu queria curtir os meus filhos o máximo que pudesse. Imagina você com 32 e um filho de 10 anos? Quanta coisa gostosa você não ia poder compartilhar, viver junto? Acho que o passar do tempo torna o abismo entre as gerações cada vez maior, o que dificulta essa aproximação entre pais e filhos. Em tempo, é só uma opinião pessoal. Não tenho filho, então não tenho muita voz nisso e posso estar redondamente enganado.
Ela viveu o meu sonho, mas tudo deu radicalmente errado. Hoje eu entendo como deve ser problemático casar cedo. Eu casei com 26, o que muita gente já chamaria de cedo hoje em dia. Mas caralho, casar aos 20? Eu precisaria ter certeza absoluta de que estava com uma ótima pessoa ao meu lado, mas é difícil a gente chegar a essa conclusão tão cedo. A maioria das garotas com quem saí entre meus 18~22 anos jamais estariam na minha lista de possíveis esposas hoje em dia. Algumas são minhas amigas até hoje, mas a grande maioria ganhou pensamentos e posições que vão contra quase tudo que eu acredito.
Tentei imaginar a vida dela agora. 32 anos, dois filhos, divorciada, sem faculdade e depois de largar um emprego público, morando na casa dos pais. Os posts e fotos dela no Facebook tem um quê de agridoce. Parece haver um amor incondicional pelos filhos e pelo desenvolvimento deles. Mas ao mesmo tempo parece haver uma triste por não ter aproveitado a vida. Encontrei até um post antigo em que ela nunca tinha andado de avião e sonhava em conhecer a Europa, postava fotos dos lugares que gostaria de viajar, lia livros sobre eles.
Eu sei que isso pode soar paternalista, mas tudo isso me pesava muito o coração. Me dava vontade de ir lá, de mudar a vida dela, de levá-la para Paris, Roma, Praga, Porto, as poucas cidades que visitei nas vezes em que fui para lá. Me dá vontade de correr para encontrá-la, abraçar, ficar com ela, conversar, qualquer merda.
Mas aí eu caio na realidade. Cá estou eu, casado, relativamente estabelecido, vivendo super de boa até sexta-feira. E se eu puxar uma conversa no Facebook para encontrá-la, chamar para um café pelos velhos tempos e falar que fiquei sem jeito de puxar papo com ela quando a vi na praça sexta-feira? O que eu vou dizer?
Depois de explicar porque saí do curso daquele jeito, 12 anos atrás, vou falar que era completamente apaixonado por era e que estava me sentindo feito um adolescente agora? Será que não vou adicionar mais um arrependimento para a lista dela, partindo do princípio que ela talvez também sentisse algo por mim à época? E se não sentia, de que isso serviria?
E não sei as consequências que vê-la pessoalmente podem ter. Sim, ela parece bem mais velha e o tempo não foi bom com ela. Mas eu ainda a acho linda e sinto um aperto no coração idiota toda vez que olho para as fotos dela no Facebook. Eu tenho medo de aparecer, me mostrar como algum exemplo da felicidade e bom senso (sim, já escutei de amigos meus que tenho a vida "perfeita demais" por conta do meu bom senso em geral, apesar de eu achar que tenho uma vida ok, só pautada pelo "pensar antes de fazer") que apenas acentue as más escolhas dela. Eu tenho medo de não aguentar e fazer merda, de estragar um casamento que vai bem para caralho.
Ela está aqui, a um clique de distância, e não sei o que fazer. Nem se devo fazer alguma coisa.
TL/DR: achei a menina no Facebook depois de chutar dezenas de sobrenomes diferentes. Ela está divorciada, largou um emprego público e parece estar numa fossa fodida. Eu não sei se devo fazer alguma coisa ou deixar esse feeling morrer e continuar vivendo deixando esse fuck up de ter sumido da vida da menina para trás.
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